Conforme a idade avança, os primeiros cabelos brancos começam a aparecer e o corpo passa a funcionar em um ritmo diferente. Para a mulher, o climatério e a menopausa são marcos do envelhecimento – um período carregado de mudanças que exigem adaptação.

O que é a menopausa?

Antes de explicarmos o que é a menopausa, precisamos entender o por que ela ocorre. As mulheres já nascem com todos os óvulos que serão produzidos ao longo da vida, armazenados nos folículos dos ovários. Essa reserva é usada da primeira até a última menstruação.

Quando os óvulos acabam, os ovários param de funcionar e a concentração de hormônios femininos passa a cair, o que gera uma sequência de transformações rumo à menopausa.

Essas mesmas transformações também podem ser a consequência de um processo de cirurgia ginecológica. Algumas mulheres precisam retirar os ovários, seja por diagnóstico de patologias ou, até mesmo, por prevenção de doenças.

Dr. Eduardo Cordioli

Dr. Eduardo Cordioli

Gerente Médico

“Seja natural ou cirúrgica, a menopausa é o início de um novo estágio da vida”

Apesar de muitas mulheres considerarem a menstruação incômoda, o fim do sangramento não traz, exatamente, uma comemoração.

É comum as mulheres associarem o período menstrual à fertilidade e, consequentemente, a um corpo jovem, capaz de gerar novas vidas. O fim do ciclo menstrual pode ser observado após doze meses desde a última menstruação espontânea. Isso significa que o corpo não produzirá mais óvulos e a possibilidade de engravidar não faz mais parte da vida da mulher.

A menopausa é, então, diagnosticada.

E ela vem carregada de tabus e mitos que contribuem para uma percepção bem distorcida da realidade: um processo natural da vida. Mas não precisa ser assim.

Por isso, deixamos aqui o nosso conselho: uma vez identificada, encare a menopausa como um processo natural, uma nova fase, com suas características e aprendizados.

Claro que nosso objetivo não é esconder a verdade: podem sim surgir alguns sintomas desconfortáveis. Mas quando isso acontecer, procure um médico da sua confiança – ele te indicará o melhor tratamento de acordo com o seu perfil e histórico.

Os primeiros sinais e o comportamento do corpo

Não há uma idade exata para a chegada da menopausa, mas sabemos que este é um período da vida inerente a toda mulher e costuma ocorrer entre 45 e 55 anos com efeitos que dependem de muitos fatores além da genética e do estilo de vida.

Dr. Eduardo Cordioli

Dr. Eduardo Cordioli

Gerente Médico

“Durante toda a vida nosso corpo passa por mudanças. São estas alterações hormonais que vão transformando a mulher. Assim surge a menstruação e, mais tarde, chega a fase da menopausa. São os hormônios que regem essas mudanças”

Como isso funciona em meu corpo

Antes da chegada da menopausa, vem o período preparatório chamado climatério, que inicia em média próximo aos 45 anos e funciona como um “mensageiro” para a mulher, sendo caracterizado por um conjunto de sintomas que surgem antes e depois do fim do ciclo menstrual – consequência da montanha-russa hormonal, típica deste período.

Se para diagnosticar a menopausa basta termos a confirmação da parada da menstruação, para o climatério é necessário análise clínica e exames laboratoriais, além dos exames complementares que devem ser feitos periodicamente, como mamografia, colposcopia e ultrassom transvaginal.

Como eu sei que estou na menopausa?

Além da idade, alguns sinais clínicos são comuns nessa fase. Um dos primeiros que podem surgir é o fogacho, mais conhecido como ondas de calor, que é um sintoma fortemente associado ao período.

Ele consiste em uma sensação de aumento da temperatura corporal, sem que ela tenha de fato aumentado. Essa sensação repentina pode ocorrer no rosto, pescoço ou parte superior do tronco.

A menopausa também pode trazer algumas alterações psíquicas. Pele, cabelos e unhas podem passar por algumas transformações, como perda do brilho natural, menor elasticidade, cabelos quebradiços.

Exames que avaliam a densitometria óssea devem ser incluídos na rotina da mulher na menopausa, pois o estágio provoca perda de massa óssea – que pode gerar doenças como osteoporose e osteopenia. E, a medida que a idade avança, é comum ocorrer alteração na libido, que pode vir acompanhada do ressecamento da mucosa vaginal e desconforto durante as relações sexuais.

Além disso, o dr. Eduardo Cordioli destaca que dificuldade de concentração, perda de memória, diminuição da qualidade do sono reparador, irritabilidade, alterações de humor, agravamento da ansiedade e depressão e incontinência urinária são outros dos sintomas comuns e esperados.

Mas lembre-se: essas ocorrências não são obrigatórias e é comum que algumas mulheres passem pelo climatério de forma assintomática. Cada organismo age de maneira diferente, por isso é importante que seja avaliado individualmente, por meio de consultas periódicas, até mesmo para que o médico possa identificar o grau dos sintomas e consiga indicar o melhor tratamento.

Mulheres que sofrem de desnutrição ou obesidade podem sofrer de formas ainda mais diversas os efeitos da menopausa. O uso de cigarro, além de todos os malefícios conhecidos, é um agente agravante e causador da menopausa precoce, aquela que acontece antes dos 45 anos.

Como se preparar para ter uma menopausa “saudável”

Assim como todas as fases da vida, uma alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas fazem toda a diferença na vida da mulher que está vivenciando a menopausa. Ingerir alimentos ricos em cálcio na juventude ajuda a mulher a atingir o pico de massa óssea que pode garantir uma espécie de reserva para o estágio mais maduro.

É muito importante não ganhar peso neste momento. Além de te deixarem mais saudável e ativa, os exercícios ajudam a controlar a pressão arterial, previnem a osteoporose, assim como doenças cardiovasculares, e enchem o seu corpo de endorfina, substância responsável pela sensação de bem estar.

Antes de iniciar as atividades é necessário entender os limites do seu corpo. Uma consulta com cardiologista pode orientar você sobre a prática mais adequada para a sua saúde.

Se as oscilações de humor persistirem e levarem para uma depressão, buscar ajuda de um profissional em psicologia é a melhor saída. A alteração hormonal é a causadora dos sintomas do climatério, mas uma rotina estressante pode agravar ainda mais este quadro. A terapia auxiliará a encarar este período como mais uma etapa natural da vida.

Uma medida essencial na maturidade é abandonar maus hábitos, como tabagismo e o consumo de álcool. Fumar pode acelerar em até dois anos o surgimento da menopausa, sabia?

É possível adiar a chegada da menopausa?

Sim, é possível com tratamentos hormonais que podem minimizar sintomas e efeitos ou mesmo postergar a chegada da menopausa.

Tratamentos hormonais

A reposição hormonal é o tratamento mais utilizado para minimizar os efeitos que ocorrem na menopausa. Ele ameniza sintomas que causam desconforto e diminui os riscos, como a osteoporose. Comprimidos e géis ajudam a repor os hormônios estrogênio e progesterona, que pararam de ser produzidos. Dessa forma, o impacto na qualidade de vida da mulher é bastante reduzido.

Outra forma de conviver melhor com a nova fase da maturidade é o uso de fitoterápicos, substâncias de origem vegetal com composição próxima as produzidas naturalmente pelo organismo. O uso de isoflavonas de soja, por exemplo, demonstrou ação similar ao uso de estrogênio. Há também tratamentos alternativos, como a acupuntura.

Hábitos de uma alimentação saudável e balanceada, manter o peso ideal e a prática de esportes, principalmente exercícios físicos, com foco na musculação, contribuem para uma melhor qualidade de vida e são muito indicados.

Para qualquer tipo de tratamento é fundamental conversar com um especialista. Só um médico, munido dos resultados de exames de mamografia bilateral, ultrassom pélvico e transvaginal, exames de sangue e papanicolau pode indicar qual o melhor tratamento para seu perfil. Existem contra indicações que podem desencadear doenças como trombose, doenças ligadas ao coração e câncer de mama.

Dr. Eduardo Cordioli

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“Tratamentos hormonais podem melhorar e muito a qualidade de vida das mulheres que sofrem efeitos agudos da menopausa, mas só um especialista médico pode indicar o melhor método de tratamento”
Dr. Cordioli explica que o tratamento hormonal é indicado principalmente para os primeiros anos da menopausa, assim que surgem os sintomas iniciais, sendo um recurso temporário utilizado na medicina personalizada, ou seja, após a investigação de todos os riscos e benefícios para cada mulher, caso a caso, já que são levados em consideração o histórico familiar e fatores genéticos.

As mulheres no período da menopausa devem continuar consultando um médico e, além do ginecologista, entre os profissionais indicados estão o clínico geral, o endocrinologista e o cardiologista, pois uma das principais causas de morte na menopausa está relacionada a problemas cardiovasculares, por isso é indicado que a mulher continue se consultando, inclusive para prevenção de doenças como o câncer.

Vida sexual na menopausa: adaptações do corpo e suas possibilidades

Se por um lado a falta de lubrificação vaginal, causada pelo climatério, impacta na vida sexual, deixar de se preocupar com a possibilidade de uma gravidez natural pode potencializar a libido da mulher. Manter a autoestima na maturidade é essencial para alimentar o desejo sexual.

O diálogo franco com o parceiro contribui para manter a intimidade nesta fase. É o momento para novas experiências, viagens a dois, jogos sensuais e tudo que alimente uma vida sexual saudável.

Dr. Eduardo Cordioli

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Gerente Médico

“Com o surgimento da pílula azul para os homens, surgiu a demanda de estimulantes femininos, mas é bom lembrar que casamento não é só sexo, casamento é um ajudar ao outro na vida, e é preciso o respeito mútuo entre o homem e a mulher”

Mesmo depois da menopausa, há mulheres que ainda desejam engravidar. Encerrando as possibilidades de uma gestação natural, a mulher que finalizou seu ciclo produtivo pode ter a experiência de gerar uma criança por meio da fertilização in vitro.

Apesar do avanço da tecnologia de reprodução assistida, a decisão de engravidar na menopausa deve ser muito bem avaliada, considerando os riscos que uma gravidez tardia envolve.

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