Mais do que o rito de passagem da menina para “mocinha”, a menarca (como é chamada a primeira menstruação) é o início de uma série de mudanças fisiológicas que ocorrerão com a mulher. Esse período de transformação é chamado de puberdade – quando a criança começa a desenvolver características adultas.

A menstruação faz parte da biologia humana e é esperado que toda mulher passe pelo processo.

Mesmo assim, ela continua sendo para muitos um tabu.

De forma bem resumida, a menstruação não passa de um fluxo comum do organismo feminino. Ela existe por razões orgânicas de manutenção do nosso corpo, representando o preparo para a reprodução – já que a biologia é sempre direcionada para esse fim.

Porém, isso não é uma regra – ela pode variar de menina para menina. O corpo feminino começa a passar por transformações já durante a infância, mas somente entre os dois e três anos após o início da puberdade é que ele inicia, de fato, a preparação para a primeira menstruação.

A puberdade acontece entre os 8 e 13 anos e é nela que a menina percebe – e sente – todas essas transformações tomarem forma – literalmente.

Os sinais da puberdade

A partir desse desenvolvimento, o corpo da menina tem o desbloqueio de funções hormonais ligadas à atividade sexual e de reprodução. Essas funções fazem parte do eixo hormonal – um conjunto de glândulas e hormônios que regulam o desenvolvimento de todo o nosso organismo. Um dos efeitos disso é a possibilidade da fecundação e reprodução, que acontece conforme crescemos e a produção dos hormônios (e do eixo) se estabiliza.

O primeiro ciclo menstrual acontece quando, após esse amadurecimento do eixo hormonal, os ovários estão gerando óvulos, que estarão preparados para a fecundação. Quando ela não ocorre, o nosso próprio organismo descarta os óvulos que não foram usados.

A partir da menarca, esse processo ocorre com uma frequência de espaçamento médio de 28 dias.

Explicação do ciclo menstrual

Neste período inicial, o organismo da menina está se preparando para uma nova fase – de gestação – e os hormônios, bem como o funcionamento do sistema reprodutor, ainda não estão formados.

Segundo o dr. Mariano Tamura, a irregularidade do ciclo menstrual nas adolescentes é mais comum do que o imaginado, tanto em frequência, quanto em quantidade. Por isso, a ovulação pode não ocorrer todos os meses, sofrendo interferências ou interrupções.

Dr. Eduardo Cordioli

Dr. Mariano Tamura

Ginecologista

“Os ciclos são irregulares e não indicam necessariamente um problema, a idade em que ocorre a menarca também pode variar de menina para menina. São muitos os fatores que podem contribuir para esta variação”

O fato da mulher não menstruar mesmo em idade fértil é chamado amenorreia e pode ter diversos fatores. Durante a gravidez e durante a menopausa, a irregularidade é mais frequente, assim como também durante a amamentação. As causas da amenorreia merecem ser avaliadas e investigadas por um ginecologista, caso a caso.

O dr. Tamura lembra que existem fatores que refletem e contribuem para o atraso da menstruação. Entre eles, você deverá observar:

Aguardada por muitas meninas, a chegada da menarca normalmente reflete em seu comportamento social, pois ela passa a se sentir “parte do grupo” de amigas ou excluída, quando acontece tardiamente. Por isso, é importante o acompanhamento próximo da família, com atenção ao aspecto psicológico – já que podem ocorrer mudanças no comportamento. A forma como a família encara essa mudança influencia – e muito – em como a menina irá reagir às mudanças do seu corpo.

Após a primeira menstruação, o crescimento do corpo pode variar entre 5 e 6 cm. Ela não tem impacto direto no desenvolvimento dos ossos – na verdade, isso tem relação com o crescimento ocorrido na puberdade.

Para a hebiatra dra. Andrea Hercowitz, não é preciso um acompanhamento com ginecologista antes da primeira menstruação, mas são indicadas consultas regulares com um hebiatra – profissional capacitado para cuidar de meninas entre 10 e 20 anos de idade. É ele quem vai orientar com segurança todas as transformações e questões desse período.

A exceção fica por conta de meninas que tenham qualquer queixa, incômodos ou infecções genitais recorrentes – essas devem procurar um ginecologista!

Normalmente, a menstruação tem duração média de 3 a 7 dias, podendo variar bastante ao longo da nossa vida – seja em relação à frequência, à intensidade ou até a textura do sangramento. As mudanças ocorrem desde a fase da adolescência até a menopausa, que é o período fisiológico após a última menstruação espontânea da mulher.

No início do período menstrual, assim como nos primeiros fluxos das adolescentes, a coloração é um vermelho vivo e bem líquido. Nesses dias, a mulher pode menstruar de 30 a 70 ml por período. Com o passar do tempo, o nosso organismo acumula os resquícios do fluxo e o libera em determinadas situações – quando você faz um esforço físico ou vai ao banheiro, por exemplo. Neste momento, o fluxo tem uma coloração mais escura e se torna bem espesso.

Algumas mulheres relatam ter menstruado durante o período em que estavam grávidas. Segundo o dr. Tamura, durante a gestação podem ocorrer sangramentos que, normalmente, não são resultado de uma ovulação e não correspondem ao fluxo menstrual. É necessário então uma investigação médica para que o caso seja avaliado independente da quantidade ou coloração.

Outra questão frequente é: a menstruação pode causar anemia? A resposta é sim. Apesar do fluxo normal não ser capaz de provocá-la, em casos de fluxo muito intenso, a anemia pode ser sintomática, sendo necessário que a mulher procure um especialista.

menstruação precoce

A menstruação precoce só pode ocorrer como resultado de uma puberdade precoce – quando todas as transformações que comentamos acima ocorrem antes dos 8 anos de idade.

No entanto, o maior impacto está no desajuste entre a maturidade física e psicológica, visto que a menina ainda não é madura o suficiente para compreender suas transformações e não está preparada para lidar com elas. Por isso é necessário atenção ao comportamento da menina e observação cuidadosa no seu desenvolvimento corporal.

cólicas

A temida cólica é um tipo de contração realizada pelo útero para eliminar o sangue menstrual, o mesmo tipo de contração que ele realiza no nascimento dos bebês, em outras proporções, claro.

A dor vem da compressão dos nervos e dos vasos que passam pelo músculo uterino, quando ele está tentando expulsar o sangue como uma forma de limpeza.

As cólicas ocorrem também em função da ovulação, podendo variar em intensidade por diversos fatores, inclusive genéticos, mas é natural que ocorram em todas as mulheres. Normalmente cólicas intensas são tratadas com anti-inflamatórios e, quando não apresentam melhora, são receitados medicamentos contraceptivos, que agem como inibidores da ovulação.

Existem cólicas mais graves que normalmente são sintomas de problemas como: miomas, pólipos, endometriose, entre outras doenças – que precisam ser avaliadas e tratadas cuidadosamente.

Dr. Mariano Tamura

Dr. Mariano Tamura

Ginecologista
"É possível tratar cólicas para amenizar a dor com anti-inflamatórios não hormonais. Métodos contraceptivos podem ajudar se isso não resolver"

TPM

TPM é a abreviação de Tensão Pré-Menstrual e se refere a um conjunto de sintomas físicos e psíquicos manifestados na mulher neste período que antecede a menstruação.

É, essencialmente, uma síndrome pré-menstrual que pode trazer sintomas como depressão, ansiedade, baixa auto-estima, sensação de inchaços, sensibilidades nos seios, desconfortos pélvicos e dores de cabeça.

Grande parte das mulheres tem alguns desses sintomas de maneira leve, de dois a três dias antes, mas também podendo apresentar todos, alguns ou nenhum dos sintomas. Novamente: a TPM varia bastante de organismo para organismo.

A principal causa da TPM é a alteração hormonal durante o período menstrual, que interfere no sistema nervoso central. Existem conexões entre hormônios sexuais femininos e as substâncias naturais ligadas a sensação de prazer, como a endorfina e serotonina. E essas conexões ficam prejudicadas nesse período, trazendo a sensação de desconforto que sentimos.

Não se trata de “frescura ou charme”. Para muitas mulheres, seus sintomas são incontroláveis e tornam esse período realmente difícil.

Para amenizá-los, é recomendado praticar atividades físicas e evitar exageros em relação a cafeína e ao chocolate. Sim, o chocolate pode ser um vilão quando consumido em grandes quantidades.

As mudanças de humor que costumam ocorrer no período têm relação com a liberação de serotonina no cérebro, assim como as alterações de apetite, dores e cólicas.

O tratamento é feito por meio de cuidados individuais e uso de anti-inflamatórios, mudanças de hábitos alimentares e o uso de medicamentos anticoncepcionais e analgésicos – sempre com recomendação médica.

Tipos de absorventes e higiene Tipos de absorventes e higiene

A escolha do absorvente é muito pessoal. É importante considerar sua rotina e seu conforto como principais pontos na hora de determinar aquele que você irá utilizar.

Absorventes internos são seguros e podem ser usados tanto por mulheres maduras, quanto por meninas virgens, porém é preciso atenção à troca, que deve ser constante para evitar infecções ou choques tóxicos. O choque tóxico é uma doença rara e muito grave, causada por uma infecção bacteriana que, neste caso, é desencadeada pela ausência de higiene adequada ou ainda um esquecimento na troca de seu absorvente interno.

O coletor menstrual é um método recente e necessita de alguns cuidados. Por não ser descartável e suportar até 12 horas sem necessidade de troca, é preciso observar com cuidado as recomendações de uso.

É importante lembrar que os coletores menstruais não podem ser usados por meninas virgens e é preciso tomar cuidado quanto a sua reutilização. A falta de cuidado pode causar doenças, como a candidíase por conta da umidade interna.

A higiene no período menstrual é essencial para manter a saúde da sua região íntima e, com isso, manter o seu corpo funcionando corretamente.

Se você já passou por esse período, sabe a importância de uma higiene correta e frequente “naqueles dias”.

Caso ainda não tenha passado, tome nota de alguns cuidados essenciais:

Como você pode perceber, esta é ou será uma rotina que irá acompanhá-la durante muito tempo. E assim como todas as transformações do seu corpo, merece ser celebrada e vivida com qualidade.

Tenha sempre seus exames médicos em dia, converse com sua família sobre o tema e procure ficar sem dúvidas para viver esta fase tão importante e significativa de maneira saudável e sem neuras.

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